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Língua Eteocretense


O Eteocretense, um idioma sem qualquer relação com a língua grega, era a língua falada pelos minóicos e usado na ilha de Creta antes da invasão dos exércitos micênicos. A língua estava escrita no que se convencionou chamar de Linear A, (que até hoje não possui tradução) um silabário usado com freqüência até 1.420 a.C., com o intuito principal de produzir inscrições religiosas e documentos administrativos.

A língua eteocretense (i. é, "cretense verdadeiro") provavelmente descende da minóica, e encontra-se, em sua maior parte, escrita numa grafia derivada do sistema eubéio de escrita padrão após o período grego de idade das trevas, apesar de que grafias lineares coexistiram por algum tempo depois, na forma de pequeninas inscrições religiosas.

O povo eteocretense é mencionado por Homero em sua "Odisséia" e por Estrabão como habitantes do sul de Creta, ao lado dos Cidones a oeste (de acordo com Estrabão, estes também um povo indígena) e os Aqueus e Dórios (ambos gregos) a leste.

Muito pouco se sabe a respeito do eteocretense, com exceção de que possa descender da língua registrada na tabuinhas de Linear A. Geralmente o eteocretense é descrito como um idioma não Indo-Europeu ou, mais freqüentemente, pré-Indo-Europeu. O professor Cyrus Gordon, mais conhecido por seu trabalho junto ao ugarítico, defendia a tese de que o eteocretense seria uma língua semítica de relação próxima ao fenício, mas suas tentativas de decifração mostraram-se incorretas, não sendo aceitas por outros lingüistas. Relações com o luvita, uma língua anatólica pertencente à família indo-européia, também já foram sugeridas.

Apesar da queda da civilização minóica, incrições em eteocretense sobrevivem até hoje, datadas do século VII a.C. até o século III a.C., escritas normalmente no alfabeto arcaico grego local e no alfabeto grego jônico. Cinco inscrições foram encontradas, certamente eteocretenses: duas em Dreros e três em Praisos, no município cretense de Lasithi. Há várias outras inscrições que podem ser eteocretenses.

Dreros 1

Parte da incrição (linhas 3 a 5) está escrita em grego, provavelmente no dialeto dórico. Devido a falha na preservação de muitas das palavras, é difícil afirmar mesmo sobre o que falava o texto. Foi-se sugerido que <ewade> (linhas 3-4) pode ser "está decidido". Outra possibilidade é que <turon> (linha 4) e <ton turon> (linha 3) refiram-se a "queijo de cabra", crença reforçada pelas palavras pelasgas para "cabra" encontradas em várias formas dialetais gregas (?????, ?????, ?????, ?????, ??????, ??????, ?????, ??????), mostrando uma raiz caprina - *itsala - que talvez esteja presente nos termos eteocretenses <isalabre> (linha 1) e <isaluria> (linha 2). A palavra <inai> também pode ser encontrada na segunda linha do artefato Praisos 2, podendo ser um verbo (cf. Etrusco <en-a?> e <en-iac-a>).


Dreros 2

A inscrição a seguir foi publicada por Henri van Effenterre em seu Bulletin de correspondance hellénique 70 ("Boletim de correspondência helênica nº 70). O artefato tem origem no Delfínio de Dreros, contendo uma inscrição gravada num grande bloco feito de xisto cinza. Não está completamente preservado, de forma que as lascas em ambos os lados do artefato tornam o texto obscuro e de difícil compreensão. Partes deste artefato foram perdidas, mas felizmente restam ainda as partes que haviam sido reproduzidas antes de seu desaparecimento.

O texto, na verdade, é uma inscrição bilíngüe. Parte dele foi reconhecido como grego dórico, de forma que há esperança de que o texto eteocretense possa ao menos reiterar noções similares, tal como a Pedra de Roseta. A seção em grego do texto foi transcrita acima do eteocretense em letras minúsculas, traduzindo-se da seguinte forma:

O texto eteocretense é muito mais curto, o que sugere que ele seja apenas um resumo do texto em grego:


Praisos 1


Praisos 2

O que intriga no texto mais longo é como ele claramente menciona a cidade de Praisos, além de mostrar declinações variadas. O nome da cidade na linha 2 é <?raiso-i> ("em Praisos"), enquanto na linha 6 é <?raiso-na> ("de Praisos").


Praisos 3


Praisos 4


Praisos 5


Praisos 6

  1. ^  Bulletin de correspondance hellénique 70, 1946 (Paris), pp. 602 & 603.


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